Julga-mente.

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Do alto da ansiedade, pálpebra maluca, e cansaço; prefiro ver graça agora. Graça do nervosismo, da própria ansiedade, e da passividade. Reconheço na minha própria história, memórias de situações parecidas. Quando a própria poeira começa a baixar. Que como num efeito lisérgico, onde o corpo sente-se e interpreta em repouso; mas aos fora da alucinação, há um samba encima de pó fino em terra batida, circulando no ar em volta da dança ébria deste personagem, atrapalhando a visão, e principalmente respiração.

Em dado momento, até o mar se acalma. E de certo ponto de vista, a sua fúria também é calma, que acalma corações abertos e sensíveis ao tempo e presença.

Nesse momento a poeira começa a baixar, da inércia decrescente que a falta de estímulo trás (do bom lado da passividade), e faz dar lugar à novas ondas desse mesmo mar, que nunca é o mesmo, embora seja sempre mar.

Há uma ansiedade de não ter muito o que pensar, e proporcionalmente uma vontade de voltar a se empolgar totalmente com algo, de novo. Dicotômico, e confuso. Nenhuma novidade.

A gente se empolga e se convence das coisas. E por mais cartesiano que eu pareça -à maioria- vive em mim uma fusão de Platão e Schopenhauer, com ideais plausíveis e um coração frágil. Uma fraqueza sazonal, graças a minha vida cíclica. E sim, dizer fraqueza denota um julgamento da própria vontade. Daí, exponho minha dialética falha. Certas sínteses são impossíveis(?).

Se o meu mar tivesse pálpebra, ele não derramava. Mesmo que sobrecarregadas, pálpebras são mais fortes que nós. Protegem nossa arma e porta mais sensível, de onde vem toda a paixão.

Há uma força invisível. Talvez vento, talvez furacão. Mas não tenho medo do que não vejo, a sensibilidade que favorece um ferimento também prevê uma inundação. Inclusive não quero seca, quero água em movimento de dia, e rastro da lua na calmaria, depois. De um jeito que mesmo sem motivo, um grupo queira se afogar num infinito escuro que não assusta. É ano novo, e enquanto houver força em meu peito, eu não quero mais nada.

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