Sobre o entardecer de hoje

 

Foi uma dessas cenas que você nem pega a câmera, de tanto que fica besta da beleza espontânea. No fim, alguém que me viu que nem um tonto disse “pega logo e tira uma foto!”

uma foto horrível de um momento lindo (quem nunca)

uma foto horrível de um momento lindo (quem nunca?)

Pois bem, a foto saiu. Mas o meu pensamento ainda está na minha visão daquela imagem a olho nu
As nuvens formando um desenho bobo, a luz alaranjada tangenciando o mundo até elas, aquele recorte dramático, quase que como uma luz teatral, o céu tingido de azul pra laranja, num degradê que nenhum filtro digital seria capaz de criar. Por alguns segundos eu vivi num tempo que não passa.
O clima era tal qual ao do amanhecer, e claro que se não levar em conta a orientação geográfica, e horário, era visualmente, exatamente o mesmo clima.
Ali naquele tempo que não pertencia a tempo nenhum, enquanto tocava cícero no spotify web, eu me vi só de um jeito diferente. Uma sensação parecida com a de um dia, voltando do Cine Itaú, já no trem me indicaram um filme. No ponto alto da minha velha confusão, ali começava um novo tempo pra mim. Antonia’s Line realmente mudou minha vida.

Não conheço mais aquela confusão. E olhando pra trás, nesse novo recorte de tempo, eu vejo que cometi ainda erros crassos que nem eu entendo mais, que eram resquícios ainda do velho tempo.

Não me livrei talvez de todos os velhos problemas, mas com certeza sou uma pessoa melhor, e que teve sua melhor fase nesse novo recorte. Ando inseguro com certas possíveis mudanças, mas ainda prefiro enfrentar o medo e me envolver em novos projetos.

Mas de todos os medos tem um em especial que eu espero que seja tolo.

Sempre assumi todos os problemas e nunca neguei a responsabilidade. Na vida, perdemos e ganhamos várias coisas naturalmente, mas certo desinteresse me causa uma angústia profunda. Se eu pudesse, pintava aquele entardecer com toda a dimensão que eu enxerguei, só pra poder viver nele. Num tempo que não passaria, só pra evitar que você fosse embora.

Se a gente na vida foi feito pra voar, e a gente não puder voar (alto) junto, eu só espero que alguma corrente de ar alinhe os voos das boas pessoas pra que elas eventualmente apreciem uma vista bonita juntas. Uma montanha ou pirâmide na América do Sul, alguma viela de bares e cafés, um castelo, ou a Abbey Road na Europa. Uma praia bonita e isolada na parte de cima do país, a neve que rola de vez em quando na parte de baixo, ou mesmo um entardecer aqui da minha janela.

Preciso de sorte, de paciência, de mais sorte, e preciso dormir.

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